

Cartas à solidão - O Martírio
O MARTÍRIO Só se percebe só, aquele que não antevê o final de sua noite, E que percebe em seus pés, os grilhões da agonia eterna chamada Solidão. É uma cruz funesta, esta que se aloja em seu dorso, Como um peso morto, ao mesmo tempo latejante. É quando vem à tona o mais vil dos sentimentos, A inveja, demonstrando seus seios fartos, e nos amamentando em mais terrível fel. Inveja daqueles que se encontram, Inveja daqueles que não se perdem, Inveja daqueles que mente bem. É nesta noite longa e fria, que as entranhas vêm à mostra, E se exibem como estandarte em escola de samba. O enredo, sabemos de cor. A noite passa, e então surge o dia, e com ele, A necessidade urgente de nos mascararmos em personagens, Alegres, risonhos, simpáticos, úteis, viris, sedutores, Doutores em vida e baixareis em felicidade. E seguiremos assim, nesta pantomima cínica, Em sinfonias vis, como uma ode ludibriosa, Até que mais uma noite aconteça, E se abra indecorosa, a orquídea negra e ermitã. Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 18/10/2008
Alterado em 20/01/2010 Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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