Ita Poeta

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LAMENTO
Tudo que você me traz, eu guardo,
Tudo que você me diz, eu lembro,
Não me encontro assim tão desatento,
Quanto julga o seu desinteresse.

Se você me desse um só alento,
Se ligasse para o que eu preciso,
Se precisasse do que eu ofereço,
Mesmo assim eu estaria aflito.

Eu estou a mercê do monumento,
Idolatro teu corpo, formosura,
Tudo que eu espero em noite escura,
É frescura, desejo e movimento.

E fazer do instante eternidade,
E fazer da lembrança meu ungüento,
Delirante saudade – sofrimento.

Desabor da ausência eu não agüento,
Boca amarga sem beijo: desalento,
Vida jorrada á fora em desleixo.

Há de vir um anjo um dia desses,
Pra livrar minha alma do tormento,
De viver este filme morno e lento,
Um cadáver vivo, em lamento.

Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 25/10/2008
Alterado em 19/09/2025
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