

A ELEGIA DO MEDO
É tarde para se ter medo
O tempo faz arder à chama da urgência E a precaução queima em seu ventre O medo surge calcinado e quase irreconhecível Sucumbe diante do ter que fazer A espada da ação é firme Decepa a hidra do receio E a voz rápida e insensível da vida Fala fria e forte: “Não tema o medo, ultrapasse!” é tarde para se ter medo Tê-lo é inevitável, cultiva-lo, inaceitável Vomite o medo excedente Beba goles módicos de insensatez e Surfe em seu destino com altivez É tarde para se ter medo. ITA POETA
Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 15/11/2008
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