

PANO
Eu ato minha alma a este pano
tecido desfraldado ao vento, lábaro amarrotado Teço com minhas veias, neste manto, palavras de alegria ou de desencanto bordo um pranto, ou um beijo dado E esta tapeçaria, este véu profano, traduz em cada ponto, cada traçado o que encontro no caminho e o que deixo de lado Coser com as agulhas do hodierno é algo deveras sobre-humano Novelo encardido do passado, a tecer um futuro insano Eu ato minha alma a este pano na esperança de exorcizar meus pecados Mas tem vontade própria este enfronho Reduz minha coragem, faz-me vassalo...
Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 19/11/2008
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