Ita Poeta

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PANO
Eu ato minha alma a este pano
tecido desfraldado ao vento,
lábaro amarrotado

Teço com minhas veias, neste manto,
palavras de alegria ou de desencanto
bordo um pranto, ou um beijo dado

E esta tapeçaria, este véu profano,
traduz em cada ponto, cada traçado
o que encontro no caminho
e o que deixo de lado

Coser com as agulhas do hodierno
é algo deveras sobre-humano
Novelo encardido do passado,
a tecer um futuro insano

Eu ato minha alma a este pano
na esperança de exorcizar meus pecados
Mas tem vontade própria este enfronho
Reduz minha coragem, faz-me vassalo...



Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 19/11/2008
Alterado em 30/08/2025
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