

TELAS DA VIDA
Pintei um quadro com as tintas da inocência
Tons vibrantes, juventude em pincel arfante, Venho as águas salgadas de meus olhos, De amor amado, amor perdido Lavou a tela, borrou a pintura Pintei outra tela com as tintas da tristeza, Ainda jovem, chafurdei no preto e matizes, Meio gótico, meio louco, meio ao meio, Incendiei a cama com tocos de cigarros, Então vi um quadro em cinzas, que não quis Troquei de tela, fiz um quadro da boemia Seios, ancas, água que passarinho não bebe Mesa de bar, batucada e amigos (inimigos também) Jorrei minha alegria pela noite vadia Cansei da orgia, derreti, deitei e dormi Acordei de ressaca, fui trabalhar, pintei sem vontade Larguei a vaidade, dura realidade exposta Cai na monotonia do dia-noite-dia Sexo sem harmonia, cama vazia Me enchi,explodi, joguei fora tela sem vida Resolvi pintar a esperança tardia Cutuquei a fera dormente, resmungo ardente; Vulcão preguiçoso, mais ainda quente, Rugiu, soltou gases, lama eloqüente Queimou a tela, queimou minha fronte, minha mente Querem saber, vou pintar a granel, Qualquer coisa que veja, me vendo, Sem formas e nem regras, sem nada, Quem quiser que veja a pintura, Quem não quiser, que fique com a tela vazia
Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 14/08/2009
Alterado em 10/04/2026 Copyright © 2009. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|