

LAMENTOS
seu beijo era doce como as delicadas nectarinas e seu perfume adentrava ofegantes narinas seu andar triunfal passeava sobre minhas meninas queimava e ardia, opulenta, em minhas retinas escravo de teu eixo eu me entregava ao desleixo culpava minha alma de star refém de teus caprichos jogava com o olhar minhas parcas forças, no lixo e o teu cio, rasgava minha razão, me tornava bicho mas foste como vieste, nem sei bem, nem quando em púrpura neblina noturna, saindo de mansinho tornando meu eu liquido no chão entornado esfacelando meus resíduos já tão diluídos agora oro para a medíocre e amarelada fotografia clamando por paz em meu antro em agonia rezando para o sol raiar um outro dia e apaziguar dolorosa utopia minha esperança e que em algum lugar de seu futuro perto do pó compacto, do rímel ou escondido na carteira em algum dia de verão, onde lembranças a encostem no muro você ache minha maltratada e encardida fotografia, e ria. Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 29/01/2010
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