

BOCA NOSSA DE CADA DIA
Amabilíssima boca beijaste o ontem com a intenção do nunca quando as lagrimas do abandono mesclaram-se com saliva era uma dor infinita você sorveu em soluços para enterrar a vida em suas lambidas Afável e doce boca beijaste o hoje com a vontade do recomeço com a ganância da opulência e sem paciência, deixou morder=se e misturar com teu guspe intenso o vinho sangue de tuas veias o combustível de teus anseios e no ardor do momento ordenhaste o próprio seio sem desvelo Admirável boca beijaste o amanhã com lábios trêmulos de medo mas com a força da resistência emaranhando a temperança de tua água adstringente adicionada de suor quente nascido da testa arfante de uma linda criança chamada esperança insustentável boca tu que trafega pelos momentos e não sossega nenhum minuto ora fazendo tumulto ora chorando miúda ora babando na nuca bebendo canha fajuta ou gargalhando em cristal Eu só te peço que um dia quando a seca invadir o teu palato quando tossir o vil catarro de tuas entranhas não urre de dor, não despreze não blasfeme e não suplique apenas misture tua secura ao silencio macio e triste de uma oração de despedida Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 30/04/2010
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