

JURAMENTO DO ESCREVENTE
Temos, nós, escreventes Leite quente a amornar sofridas Dores de vidas partidas Em palavras pungentes Ungüento pra feridas ardidas Em versos comoventes E para membros dormentes Estrofes de prazer e luxuria Montadas em versos calientes De nossos dedos velozes Surgem fortes algozes De solidão e tristeza Mas também jorra beleza De uma flor e de uma saudade Nos escreventes, temos O dever e o direito De escrever por escrever De nem saber o que escrever De querer e não poder De poder e não fazer Mas inevitavelmente Em papel de carta Ou linho de pão Não tem como não sair Da mão deste escrevente Qualquer coisa, Qualquer símbolo Palavra solta ou Manuscrito Quando a alma incendeia Pelas mãos estremecidas Nós, escreventes Não temos saída, a não ser escrever Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 19/08/2011
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