

QUANDO UM ANJO CAI
Um anjo, quando desce a terra Erra, em sua gentileza, Berra, de sua natureza Um anjo acostumado A um céu dourado Mas reduz o seu pecado A um cinza cromado Destes de carro do ano De veludo cotelê E inveja de fulano; Um anjo tão delicado Que dedica o seu lado Para qualquer estranho E o estranho é que ele Rosna baixo, acabrunhado, Quando olha arrependido Que deu o seu melhor lado A um coitado de um tapado Este anjo jaz demonizado Já está desmemoriado Já nem lembra o céu dourado Se converte em pura cinza Se contorce, se reclina Se transforma em purpurina Em talco em nuvem espessa E acaba feito monstro A decorar uma sarjeta. Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 31/10/2012
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