

CAFÉ DA MANHÃ
O aroma insinuante do café O calor perfumado do pão Emolduram minha manhã reticente É como se o tempo vagasse, Por entre eles, Sem esperar nada. Alinho a boca à xicara Amiúdo os olhos, procurando, Algo que nem mesmo sei, Mas nada acontece, concluo. Ao longe, sempre um cão ladra E nos intervalos de sua ode, Os passarinhos matutinos, Declamam seus cânticos. Parecem dizer, ora o cão, Ora os pássaros: Vai, bebe mais um gole, Morde mais uma fatia. Eu obedeço. Nessas horas, parece-me, Que a vida esquece-se de viver, Só para estar ali, contemplativa. Mas é momento e esvai, feito neblina, Quando o calor desce. Acaba café, vai-se o pão, O cão não para e nem as aves. A monotonia cutuca meu ombro esquerdo, Dá-me um bom dia, E me empurra para um novo Recomeço. Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 14/03/2013
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