

A LAGARTA
A revelia do tempo, A lagarta tece seu casulo, Nem retesa sua fonte, continua, Nem pragueja o dia, Nem lamenta a noite, Costura sua bainha, Alinha seus colchetes, Poeiras destruídas, Embebidas em sangue, Acompanhada de sinfonias, De gritos em agonia, Adentram sua lida? Nem liga, nem nada, Retoca, enfia, retorce, E trás a linha, Fazendo outra dobra, São pés de soldados, Murmúrios de matilhas, De filhos sem mães, Zumbidos de buzinas zumbis, Impávida, envolve-se Em seda fria, De indiferença, Quando terminar Sua tapeçaria, Estará exausta E totalmente encoberta, Seu sono lhe trará Metamorfose, Se deste casulo Sairá fina borboleta, Funesta mariposa? Nem uma, nem outra? Só o futuro revelará; Mas quando Seu Invólucro Romper e vomitar O esperado inesperado, Uma coisa será certa: Ninguém notará.
Ita poeta Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 05/12/2022
Alterado em 10/07/2023 Copyright © 2022. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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