

VÍSCERAS
Rasgas a carne sem remorso,
Mas a dor adormeceu, Secos olhos insensíveis, Nada ali lhes comoveu Nem a hora esquecida, Nem a porta entreaberta Nem a água estagnada, Nem a alma descoberta Das entranhas, urge reparo, O rasgo que tu sutil fizestes, Na cínica intenção do ato. Não há nada ali fatal: O fígado é necrosado Pulmão? Asfixiado, Intestino interditado Nem o coração é válido, Pois está anestesiado Pela falta de anteparo. Por isso rasgas inclemente, A pele que ali reveste, Não queres esfolar o corpo, Queres destroçar a alma Mas a alma não sangra
Ita poeta
Enviado por Ita poeta em 28/10/2025
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